30 agosto 2016

Hoje eu descobri que minha amiga é falsa


De repente percebo o olhar atravessado e o jeito como é indiferente as minhas conquistas, teu jeito de me ignorar quando eu estou plenamente feliz e querendo me sugar quando me sinto notavelmente pra baixo. Mesmo assim, eu insisti.

 Deve ser só mais um dia ruim, um problema pessoal, uma falta de atenção... E isso se seguiu por meses a fio, até que finalmente eu percebi: Minha amiga é falsa.

 Quando éramos crianças e existia aquela notável competição pela mais bonita, mais viajada, mais rica, com o melhor brinquedo eu até conseguia entender, estávamos em uma época de afirmação social e pessoal e era comum que vez ou outra a gente se sentisse excluída em determinado ponto, ainda havia esperança que você pudesse crescer e se tornar uma pessoa melhor, mas não.

 Você não enfrenta as mesmas batalhas que eu, mas eu tenho meus próprios medos, dramas, preconceitos, receios e isso não significa que vez ou outra eles não batam a minha porta. Mas você parece decidida a ser quem eu sou, como se a minha vida fosse perfeita e a sua uma catástrofe, se você soubesse quantas vezes eu não queria a vida que eu tenho.

 Quantas vezes acordo no meio da noite com problemas que você desconhece na sua realidade, coisas que estão muito além da sua complexibilidade como ser humano, mas você continua a me ignorar. Você me suga. Você me deixa desanimada, com dores de cabeça, mas em alguns momentos eu só posso ter pena de você.

 Não consigo nem mesmo sentir raiva. Deve ser muito duro ter uma vida tão ruim a ponto de invejar a de outra pessoa, então eu oro, baixinho nas suas costas, quando você não está vendo só pra ver se Deus leva essa sua energia pra bem longe de mim.

28 agosto 2016

Vivemos a era dos que tem medo de amar


Em tempos que amores duram menos que os snapchat que você manda, sentir é algo raro. 
Vivemos a era da liberdade, nunca existiu um momento em que a sexualidade fosse tão discutida ou debatida nos meios da sociedade, vivemos em eras que a monogamia aos poucos está sendo extinguida, momento em que as pessoas preferem ter sexo casual a enfrentar relacionamentos sérios que trazem contigo preocupações que já não temos mais tempo, afinal, é tempo de ser livre. Mas será?

Se por um lado temos toda a beleza de uma vida cheia de liberdade e pessoas interessantes, temos a dificuldade em nos mantermos em relações duradouras, nos tornamos mais egoístas, mais momentâneos e mais sozinhos. Não queremos abrir a mão de nada. "Não compensa essa coisa de relacionamento, ter que tolerar dor de cabeça." e entre goles, bocas aleatórias e camas diversas, cada dia deixamos mais de sentir.

Sempre vão existir aquelas pessoas que dizem "Mas eu tentei", mas será que realmente tentaram? A moda agora é dizer que fazemos papel de trouxa e por algum motivo amar e demonstrar é ser trouxa, como se sentir saudade, querer conquistar alguém, expor sentimentos de forma plena, fosse algo para se sentir vergonha e de repente pagar de desapegado é a nova febre das redes sociais.

O mundo é dos livres. Mas que liberdade é essa que impede de amar? Sentir? De acordar no meio da madrugada e dizer que sentiu saudade, que queria ligar? Que liberdade é essa que dia após dia nos poda, nos condiciona a era da falta de sentimento, da falta de amar e se apaixonar (mesmo que seja de novo e de novo, até encontrar um porto para finalmente atracar sua ancora), e as pessoas seguem sejam presas em relacionamentos sem amor ou presas em uma vida que sentir é coisa do passado.

Se liberdade é deixar de sentir, que eu seja prisioneira das minhas próprias emoções.

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